Necessidade de novas matérias-primas

Os recursos fósseis da Terra são finitos e a demanda global por eles está atingindo níveis insustentáveis. O consumo de petróleo continua subindo. Ele passou de 82,7 milhões de barris por dia em 2009 para 89,2 milhões de barris diários em 2011. A produção geral parece ter se estabilizado. A Agência Internacional de Energia prevê que a demanda aumentará 21% (em relação aos níveis de 2007), até 2030, e que a demanda ultrapassará a oferta até 2015. O investimento crescente em recursos de difícil extração, como o pré-sal brasileiro, é um sinal de que as companhias de petróleo reconhecem o fim do "petróleo fácil".

Essas são as razões fundamentais pelas quais o mundo está agora levando a sério a busca por alternativas viáveis para suplementar as reservas mundiais de petróleo. Existem razões práticas convincentes também. O preço do petróleo, que era US$ 25 o barril em 2003, subiu novamente para além de US$100 o barril. Charles T. Maxwell, analista sênior de energia da famosa Weeden & Co., nos EUA, prevê que o preço subirá  para US$300 o barril em 2020. A recente turbulência no Oriente Médio levantou a questão da confiabilidade de nossas principais fontes de abastecimento. E as preocupações ambientais, que há muito tempo são associadas aos combustíveis fósseis, ganham força em todo o mundo. Tudo isso provocou um grande esforço para enfrentar este desafio. 

Há muito em jogo para a indústria química

 

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A indústria química tem um enorme interesse nos esforços para criar práticas alternativas aos recursos fósseis. Os fabricantes químicos usam matérias-primas à base de petróleo para fornecer quase todas as matérias-primas que são necessárias para produzir inúmeros produtos dos quais o mundo depende. De acordo com a BIO (Organização de Indústria de Biotecnologia), a maior organização mundial de biotecnologia, um total geral de 5,7 bilhões de barris de petróleo por ano vão para as matérias-primas químicas utilizadas para fabricar automóveis, pneus, tecidos, plásticos, telefones celulares, calçados e materiais de construção. O preço do petróleo é uma grande preocupação das empresas químicas, pois representa de 10 a 60% do custo de produção dos produtos. 

Hoje, a indústria está no caminho certo em muitas frentes para encontrar soluções renováveis, que podem, eventualmente, suplementar a utilização dos derivados do petróleo. O caminho mais promissor é a conversão de biomassa, como milho, sementes e cana de açúcar, em matérias-primas químicas. 

Dr. Axel C. Heitmann, CEO mundial da LANXESS, afirmou que a busca para desenvolver processos de produção de biocombustível e biomassa representam "o que é, provavelmente, o maior programa multinacional de pesquisa e desenvolvimento já realizado”. Heitmann salientou que "as metas de energias renováveis  estabelecidas por 66 países - incluindo a meta da Europa de utilização de 20% de energias renováveis até 2020 – aliadas a este enorme novo esforço de pesquisa mostram que estamos falando sério. E esta busca pode resultar em grandes negócios. 

A McKinsey & Company prevê que o mercado global de produtos químicos e medicamentos de base biológica atingirá entre €154 e € 300 bilhões até 2020. Muitos executivos químicos prevêem que em 10 anos, até 20% da indústria química será de base biológica.

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