LANXESS
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100 Anos de Alta Tecnologia

A invenção da borracha sintética

Borracha? Sim, é lógico – ela pode ser encontrada, em pneus, vedações, solas de sapato, mangueiras, ...” Muito bem! Mais alguma coisa? Bem, é a partir deste ponto que a maioria das pessoas começa a ter problemas. Isto não é nenhuma surpresa, porque até mesmo os profissionais acham difícil listar todas as aplicações para a borracha no nosso dia-a-dia. Isto porque ninguém realmente sabe o número exato de coisas que devem sua existência a este material extremamente versátil. Cordas para bungee jump, montagem de motores, anéis de gaxeta, balões, colchonetes para ginástica, cilindros de impressão – qualquer pessoa que tentar listar todas as coisas que contêm borracha e encontramos no dia-a-dia, pararia logo por exaustão. Na verdade, é mais fácil contar as coisas que não contêm borracha. Afinal, você provavelmente encontrará materiais elásticos em quase todos os lugares onde há transmissão ou redução de energia, transporte e armazenamento de líquidos.

No entanto, as coisas não são tão simples assim, porque na verdade não existe um único material de borracha elástica. Sempre que a borracha tem que fazer seu trabalho sob condições extremas, os engenheiros confiam nas borrachas de alta performance – materiais especiais que têm tanto em comum com o material natural e pegajoso utilizado pelos Maias e Astecas, para fazer bolas e recipientes, quanto um carro esportivo tem com um carrinho de mão. E a única razão pela qual temos atualmente esses materiais especiais é porque alguém teve uma idéia muito boa há cem anos.

Com certeza é possível encontrar hoje pessoas que sabem muito sobre borracha no grupo de especialidades químicas LANXESS. Isto porque a empresa continua sua história de borrachas de alta performance que começou com um tipo de “concurso” na fábrica de corantes Elberfelder Farbenfabriken Friedr. Bayer & Co. em 1906. O resultado desta estória foi a criação da empresa Bayer AG, e que continua seu desdobramento na LANXESS desde 2004. Há cerca de 100 anos, um homem chamado Fritz Hofmann trabalhou na Elberfelder Farbenfabriken como químico chefe no departamento farmacêutico. Entretanto, hoje, ele á mais conhecido como o homem que produziu a primeira borracha sintética.

Hofmann já sabia o quê era borracha, obviamente. Afinal, Cristovão Colombo e outros exploradores relataram pela primeira vez terem visto índios na América do Sul fazendo coisas com este novo material estranho, muito séculos antes da descoberta de Hofmann. Então, em 1839, o processo de vulcanização foi inventado na Europa, possibilitando assim a transformação da borracha natural pegajosa em um material sólido, mas ainda assim flexível. Esta borracha foi considerada por algum tempo como um material de alta tecnologia que poderia ser utilizado não só em casacos e botas, mas também em canetas tinteiro,  bocais de cachimbos, e até mesmo em dentaduras – sem mencionar pneus.

No entanto, a borracha natural utilizada em todas essas coisas tinha muitas desvantagens. Primeiro ela se desintegrava muito rapidamente (é assim ainda) quando exposta à atmosfera e ao calor – e ela também tinha ser cultivada em plantações. O material estava assim sujeito a flutuações extremas de qualidade e preço. Mas o principal problema era que ele era muito difícil de ser modificado quimicamente, o que significava que ele não poderia acompanhar as exigências crescentes do desenvolvimento tecnológico.

Por isso, não é surpresa que a busca por um material substituto em tubos de ensaio de químicos levou a algumas ideias inovadoras. Uma fonte dessas idéias foi a empresa de Hofmann, que em 1906 ofereceu um prêmio de 20.000 marcos a qualquer um que tivesse sucesso, até 1º de novembro de 1909, no “desenvolvimento de um procedimento para fabricação de borracha ou de um substituto adequado.”  Na época, esta proposta era parecida com o pedido de John F. Kennedy no início da década de 60, para que a América chegasse a lua antes do final da década. Em 1900, 20.000 marcos era muito dinheiro; na época, você poderia comprar um terno elegante por 50 marcos, e em 1909 um trabalhador ganhava cerca de 1.300 marcos por ano. Por isso, se Hofmann quisesse ganhar o prêmio, ele teria que se apressar. Para complicar mais a situação, ele tinha somente uma vaga idéia da tarefa que ele enfrentaria.

O maior problema de Hofmann era que, embora a borracha natural estivesse sendo estudada com profundidade em muitos laboratórios, só recentemente, em 1905, havia sido descoberto que as moléculas da cadeia que formam este material elástico são, na verdade, inúmeros componentes organizados em cadeia que os químicos chamam de isoprenos. Os cientistas já tinham conhecimento sobre os isoprenos desde 1860, mas ninguém realmente sabia como ligá-los em laboratório (polimerização) da maneira como a Mãe Natureza faz. Além disso, o “componente secreto da borracha natural” isopreno era difícil de ser obtido em sua forma pura – apesar de praticamente crescer em árvores na forma de látex.

Mesmo assim, Hofmann foi trabalhar em seu projeto de borracha sintética e teve sucesso: no dia 12 de setembro de 1909, há aproximadamente 100 anos, a patente Nº 250 690 foi emitida para a primeira borracha sintética da história.

No entanto, a idéia de Hofmann levou algum tempo para que pudesse ser transformada em uma borracha realmente utilizável e, acima de tudo, economicamente explorável. Apesar da expertise adquirida pela equipe de Hofmann, o componente de base da borracha isopreno ainda era muito difícil de ser produzido. Por isso, Hofmann teve que primeiro aprender a ignorar suas preciosas garrafas de isopreno e utilizar uma substância quimicamente similar, o famoso metilisopreno, que era mais fácil de ser obtido pelos químicos na época.

Hofmann colocou esta substância em latas, aqueceu-a, e aprendeu a ser paciente. Ele esperou semanas, e até mesmo meses. O quê ele disse quando abriu uma das latas permanece uma incógnita. O que é claro, no entanto, é que ele encontrou uma substância estranha, que dependendo da temperatura da polimerização, ficava mais macia ou mais dura, ao mesmo tempo em que mantinha a elasticidade. Este material ficou conhecido como borracha butílica, ou borracha sintética, e sua descoberta marcou o nascimento da borracha como a conhecemos hoje.