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O segredo do boom indiano?

Crescimento, crescimento e mais crescimento

A evolução da Índia é hoje objeto de muitos elogios por parte dos economistas. Com taxas de crescimento que sempre foram de pelo menos 8% nos últimos anos, e uma população jovem e com alto nível de educação, os prospectos para a economia indiana são positivos. Desde a liberalização do mercado no início da década de 80, os governos sucessivos do antigo país socialista continuaram a promover reformas econômicas e privatizações. Em 2004, a Índia passou a fazer parte do seleto círculo das 10 maiores economias do mundo. Embora especialistas ainda dividam opiniões em relação à questão se a Índia ou a China estará no topo, um fato indiscutível surge em todas as previsões atuais: no futuro veremos uma corrida acirrada entre essas duas nações, na luta pela supremacia econômica global.

A Índia está bem preparada para esta competição. Além de ter uma população jovem com fome de educação e prosperidade, o sistema político do país permanece estável, apesar de muitas tensões sociais. E mais, seu sistema legal com base britânica é apropriado para os negócios, e existe um respeito profundo pela educação, o empreendedorismo e os direitos de propriedade intelectual. Isto é, as condições para um crescimento prolongado são excelentes.

A população da Índia ainda cresce a uma taxa anual de 1,6%. Ao mesmo tempo em que isto pode parecer um problema para um país ainda pobre e super-populoso, também pode ser um importante ativo para a Índia em um futuro não muito distante. Isto porque a China, seu grande rival econômico, claramente enfrenta o mesmo destino da Europa, dos EUA e, principalmente, do Japão: o ônus do “envelhecimento” da população.

A demanda da Índia por mão-de-obra já é imensa. No passado, as empresas indianas de TI costumavam contratar milhares de engenheiros por mês. Todos os anos cerca de 250.000 novos engenheiros entram no mercado de trabalho. E mesmo que somente ¼ deles realmente satisfaça aos padrões das empresas ocidentais, o governo indiano continua a garantir uma oferta constante de pessoal.

Os setores que exigem uma grande quantidade de mão-de-obra bem treinada são a força-motriz por trás da economia da Índia. O setor de serviços com freqüência foi responsável por mais de 50% do PIB nos últimos anos. Na esteira da globalização, a Índia tornou-se o local onde os negócios em todo mundo terceirizam tarefas administrativas de rotina, avaliação de dados e até mesmo atendimento ao cliente. E isto faz com que a mão-de-obra bem treinada e que fala inglês seja um de seus recursos mais importantes.

Outros motores da economia indiana são os setores de alta tecnologia, incluindo eletrônicos, TI, farmacêutica e mais recentemente biotecnologia. Todos se beneficiam de uma característica da econômica indiana. Diferente da China, cuja rápida ascensão econômica começou com a fabricação de bens de consumo baratos, a Índia envolveu-se com indústrias e alta tecnologia já logo no início. No começo da década de 80, por exemplo, o país estabeleceu sua própria versão do Vale do Silício, em Bangalore no sul da Índia. Embora não seja ideal sob um ponto de vista geográfico — diferente da área na Baía de São Francisco, Bangalore está situada em um planalto a 900 metros de elevação — o apelido é merecido por várias outras razões. Com seis milhões de habitantes, a cidade é lar de todos os grandes nomes da indústria de TI.

Além da língua, um outro legado da era colonial é o sistema legal, que tem como base o sistema jurídico britânico e por isso é mais familiar às empresas ocidentais. E as leis de direitos autorais e patentes normalmente são mais respeitadas aqui do que em outros lugares — uma consideração importante para empresas de alta tecnologia que estão procurando por um local no exterior. Estabelecer uma fábrica na Índia não traz riscos específicos, mesmo que haja muita burocracia envolvida. No ranking “Ease of Doing Business” (Facilidade para realizar negócios) de 2008 do Banco Mundial ranking, a Índia ficou em 122º lugar, atrás da Alemanha (25), dos EUA (3), da Nova Zelândia, e do local mais adequado para negócios, Cingapura.

Em relação aos produtos farmacêuticos, a Índia já faz parte da elite mundial. Na produção de “genéricos” — medicamentos com patentes vencidas que podem ser legalmente copiados – o mercado já é dominado pelas empresas indianas. De acordo com o gabinete alemão de Comércio e Investimento (gtai), que cuida de investimentos estrangeiros e avaliação de mercados, existem possibilidades para um maior crescimento também. Os próximos anos verão o vencimento de patentes para uma gama completa de medicamentos com um volume atual de mercado de mais de US$100 bilhões. No ínterim, uma maior conscientização de saúde entre os indianos, e o crescimento da demanda por medicamentos baratos, nas economias industriais do ocidente, estimularão ainda mais o mercado de genéricos.

A indústria de produtos químicos é um outro setor da economia indiana que atualmente demonstra um crescimento impressionante. Aproximadamente 70.000 produtos químicos são produzidos na Índia, a grande maioria no oeste do país. De acordo com o gtai, a produção da indústria indiana de produtos químicos cresceu no ano fiscal de 2006/2007, entre 5% e 15%, dependendo do setor.

No momento, são empresas importantes como a LANXESS que predominantemente estão investindo na região. Estimativas do Departamento de Produtos Químicos e Petroquímicos indicaram em 2008 que a indústria investirá o equivalente a cerca de €50 bilhões na construção de novas plantas de produção e na expansão de plantas existentes entre agora e 2015.