À primeira vista ela parece ser uma mistura entre uma banqueta de designer e um pneu para um carro de Fórmula. Preta, redonda, sólida e pesando pelo menos 24 quilos. “E na verdade esta é uma das menores”, diz Rodrigo Henriquez, um especialista em borracha da LANXESS, a empresa de Leverkusen pioneira em borracha sintética. “Outras borrachas deste tipo podem pesar até várias centenas de quilos. ”Nós examinamos o item por completo no prédio K10 no Chempark Leverkusen. Agora temos certeza: a estranha banqueta de Fórmula 1 que os especialistas em borracha estão apresentando a seus convidados parece com a borracha, e cheira como a borracha.
Mas o que é isto? “Algo que evita uma explosão”, diz Henriquez. “Uma espécie de plugue que faz a proteção na perfuração de canais para petróleo”. E a borracha? Bem, isto é tecnicamente verdade, mas o termo não faz justiça ao material. “Você não poderia fazer uma peça como esta a partir da borracha convencional. Ela não duraria por muito tempo. Esta peça é feita com um material de alta tecnologia que chamamos de Therban,” diz Henriquez. “O Therban tem tanto em comum com o quê a maioria de nós chama de borracha, quanto o aço tem com uma pederneira”.
Borracha, aço e pederneira: a comparação não é um pouco exagerada? “Não. Quando a borracha sintética foi inventada em Elberfeld, há 100 anos, ela era utilizada principalmente como uma substituta da borracha natural”, explica Henriquez, “e que na época ainda era o melhor material”. Mas ao longo das décadas, os químicos e engenheiros — na atual LANXESS e em sua predecessora, a Bayer — repetidamente desenvolveram novas variantes que gradualmente superaram a matéria-prima grudenta proveniente de plantações.
A revolução para a jovem família das borrachas sintéticas ocorreu em 1930, com a descoberta da borracha nitrílica. Como a borracha de butadieno Buna S, a borracha nitrílica durava mais do que o material natural que a inspirou. No entanto, a novidade estava no fato de que ela também oferecia propriedades totalmente novas. Propriedades com as quais a matéria-prima de borracha proveniente de plantações não poderia se equiparar. Como por exemplo, o fato de que ela não dilata tanto em óleo. Luvas de borracha que são extremamente impermeáveis a combustíveis e produtos químicos, e vedações que também mantêm o óleo e a gasolina em seu devido lugar. É difícil acreditar, mas é verdade: isto tudo era ficção científica até a década de 30.
O Therban, produzido pela primeira vez no final da década de 70, é considerado por especialistas, em muitos aspectos, como o ponto alto até o momento da história da borracha. Desde então, somente poucas borrachas sintéticas ultra-especializadas conseguiram ter alguma relevância fora dos laboratórios.
O que diferencia o Therban das outras borrachas fica claro na vedação contra explosões no primeiro andar do K10. “Primeiro, o Therban é tão impermeável ao óleo quanto à borracha nitrílica. Na verdade, o Therban é outra forma de evolução deste material. Mas somente isto não seria o suficiente. “A perfuração de óleo também envolve muito calor. Como a luz UV e o ozônio, o calor é tão bom para a borracha quanto tomar sol sob o buraco de ozônio é para a pele humana. Esses três fatores podem causar sérios problemas para a borracha, fazendo com que as borrachas normais fiquem quebradiças e estejam sujeitas a rachaduras. O quê não é o mais recomendado para plugues gigantes cujo objetivo é proteger as pessoas de jatos de óleo fervendo.
“O Therban é uma borracha nitrílica que modificamos quimicamente para que ela fosse mais resistente ao calor. Até mesmo a exposição por tempo prolongado a 150 °C não é um problema. O material também tem ótimo desempenho em uma série de outras áreas em uma plataforma de perfuração. Mangueiras que transportam fluidos hidráulicos, areia e pedras; bombas para fluídos agressivos de perfuração; retentores que afastam cano de perfuração de paredes ásperas de pedras; brocas onde parafusos de metal exercem grande pressão sobre a parede de borracha, aquecendo-a ao ponto de ser possível fritar um ovo – para coisas deste tipo, o Therban é o melhor material elástico que o dinheiro pode comprar.
Na energia sem a borracha
“Perfuradores de óleo são somente um dos muitos exemplos. A produção de energia geotérmica também depende de borrachas resistentes ao calor e ao envelhecimento”, diz Henriquez. Qualquer um que queira fazer perfurações em reservatórios de calor abaixo da superfície da terra precisa de uma borracha que possa suportar água quente a 150 °C e vários bars de pressão, durante a perfuração e a extração. “Afinal, você nunca sabe o que você vai encontrar. Aliás, recentemente nós refinamos o material de tal forma que peças moldadas de grande porte, como vedações contra explosões, podem agora ser fabricadas mais facilmente e com reservas maiores de segurança”, acrescentou Henriquez. “O novo processo de fabricação foi baseado em uma pesquisa que foi reconhecida com o Prêmio Nobel em Química em 2005.”
Preta, pesada e segura: uma vencedora completa! No entanto, seria um erro concluir, com base na “banqueta de designer” preta no hall do escritório de Henríquez, que seus colegas não tinham nada melhor para fazer nas plataformas de óleo. Na verdade, a exploração e extração de energia são somente duas das infinitas áreas onde as borrachas sintéticas da LANXESS são utilizadas.