Os pequenos terrores do mar
Como as incrustações influenciam o transporte marítimo
Ele não é protagonista de filmes épicos ou romances de aventura, e com certeza não há nenhuma escultura em sua homenagem. No entanto, ele fez parte da história da navegação durante séculos, talvez mais do que qualquer outro adversário. Ele foi temido pelos romanos e gregos antigos, e vários navios comandados por Cristóvão Colombo foram suas vítimas. E ainda presumivelmente ajudou a selar o destino da Armada Espanhola, quando ela foi derrotada no final do século XVI. Esta fonte tão temida de perigo não eram piratas, monstros marinhos ou correntes traiçoeiras - o verdadeiro "flagelo de mar" durante séculos foi o teredem. Este "cupim do mar" (da espécie Teredo navalis) é um molusco que faz furos em estruturas de madeira e embarcações há milhares de anos. Os homens têm procurado por meios para combatê-lo desde quando seu perigo foi descoberto. Os romanos usavam folhas de chumbo e cobre para proteger a madeira contra ele. Na Ásia extratos de alcatrão venenoso foram aplicados nos cascos dos navios para acabar com o apetite da praga.
Atualmente, porém, a madeira desempenha um papel muito menor na construção naval, e o aço é o material predominante na construção das embarcações comerciais. Mas até hoje existe uma luta contra muitos tipos diferentes de organismos destrutivos. Cerca de 6.000 tipos estão presentes sob a superfície da água, o que representa um problema navios que navegam pelos mares. Eles se prendem no exterior do casco, formando verdadeiras colônias, especialistas chamam esses organismos problemáticos de "incrustação". "Há uma diferença entre os organismos moles e duros", diz Thomas Sames, especialista de Anti-incrustantes da LANXESS. "Os tipos moles incluem microorganismos e algas, que formam uma película que geralmente é viscosa. Os organismos duros são os mexilhões e crustáceos que ficam permanentemente presos". Qualquer pessoa que tenha viajado de férias na praia já viu crustáceos, por exemplo, que são encontrados abaixo da linha d'água. Essa seria a aparência dos cascos de cargueiros e navios-tanque se eles não estivessem protegidos.

