Energia hídrica e Cana-de-açúcar
Energia renovável está em expansão no Brasil
Quem conhece o Brasil, mesmo que apenas pelo mapa, sabe que o país possui uma enorme área verde. Afinal o rio Amazonas — o maior em volume de água do mundo — corre pelo território desse país que corresponde por cerca da metade do território da América do Sul. Onde existem água e clima temperado, também existe muito verde, é lógico. Por isso não é nenhuma coincidência que o nome “Brasil” venha de uma árvore - no século 16, os colonizadores deram o nome Pau-brasil a uma das árvores que utilizaram para conseguir madeira (cuja designação biológica é caesalpinia echinata). Mais tarde eles deram o nome ao país com base na árvore.
Por algum tempo, o pau-brasil foi a principal exportação brasileira e ficou conhecido na Alemanha por árvore da madeira Brasil.
Atualmente, a árvore é um objeto de proteção ambiental e desde 1978 é a árvore símbolo do Brasil. O Brasil também é surpreendentemente verde, mas não só por causa de sua vegetação. O ativista ambiental mais entusiasta ficaria impressionado com o mix de energia no país hoje, pois grande parte da energia provém de fontes renováveis.
Novos depósitos de petróleo e gás foram recentemente descobertos na costa brasileira, praticamente triplicando as reservas conhecidas do país da noite para o dia. No entanto, os brasileiros preferem gerar sua eletricidade por meio da energia hídrica. Na verdade, eles produzem mais de 75% de sua energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas. E, ao mesmo tempo em que a construção de novas usinas nucleares está na agenda para o futuro próximo (o Brasil também possui a sexta maior reserva de urânio do mundo), ainda existem mais planos para usinas hidrelétricas. No momento, por exemplo, os engenheiros da maior economia da América do Sul estão planejando três enormes usinas (e mais 200 de pequeno porte).
Entretanto, a energia hídrica foi colocada em segundo plano no mix de energia brasileiro. O foco das fontes renováveis são os produtos a base de cana-de-açúcar, como o bioetanol, que são responsáveis por 16% da energia produzida no Brasil. Isto não é nenhuma surpresa, pois o maior país da América do Sul tem muito espaço para plantar cana-de-açúcar. E mais de 90% dos automóveis no Brasil são equipados com motores que podem ser movidos com uma combinação de gasolina e etanol. Mesmo assim, os brasileiros não estão comendo menos, pois diferente de outras plantas utilizadas para produzir o bioetanol, o açúcar não pode ser utilizado para alimentação — e o resíduo produzido na produção de açúcar em especial não seria considerado como algo apetitoso.
Mesmo em um país tão rico em recursos energéticos, o consumo de energia ocasionalmente tem que ser reduzido, pois nenhuma fonte de energia é totalmente livre de custos. E na verdade, o que fica claro é que quando especialistas fazem uma análise mais detalhada da infra-estrutura de fornecimento de energia do Brasil, ela possui suas falhas. Alguns esforços recentes foram em vão: de acordo com o Gabinete Alemão de Comércio Exterior, por exemplo, um em cada dez watts de energia no Brasil é perdido na fase de geração — e a quantidade perdida quando a energia é distribuída é ainda maior. Com isso em mente, os especialistas estimam que os brasileiros poderiam economizar cerca de R$ 10 bilhões (aproximadamente €4 bilhões) anualmente, se o equilíbrio energético do país fosse otimizado de uma forma um pouco melhor.
Melhorar a eficiência de energia é, assim, uma das prioridades do país no momento, e os brasileiros, que são bem conhecidos por lutarem por uma causa, estão respondendo. Nós devemos nos lembrar de que este é um país cuja bandeira carrega o termo “Progresso”. Os brasileiros que no momento estão construindo casas nos 26 estados do quinto maior país do planeta, utilizam cada vez mais materiais eficientes de isolamento térmico, por exemplo. O governo, cada vez mais, pede ajuda a especialistas para satisfazer suas necessidades energéticas. Um resultado disto é a discussão entre o Brasil e a campeã em tecnologia ecológica, a Alemanha, no início de 2008, para intensificar a cooperação entre esses dois países nas áreas de fontes renováveis de energia e eficiência energética.
